Formatura do "Transformando Realidades" celebra inclusão e diversidade no MPT-MG
Belo Horizonte (MG) – Cerca de 40 pessoas participaram da formatura do Projeto "Transformando Realidades", no auditório Maria de Lourdes Queiroz, na sede do Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais (MPT-MG), na quinta-feira (28/05). O programa, desenvolvido pela entidade qualificadora CENAP, garantiu contratos de aprendizagem profissional para jovens em situação de vulnerabilidade social, sobretudo pessoas transgênero e não binárias, promovendo inclusão e combatendo a discriminação.

O tom de superação e a realidade dos desafios enfrentados ao longo da jornada também foram lembrados pela procuradora-regional, Luciana Marques Coutinho, que destacou a coragem da turma. "Só erra quem faz. Quem não faz, não coloca as coisas para funcionar. Vocês passaram por muitas coisas, tiveram coragem e nos ensinaram muito fazendo valer aquilo em que acreditavam", pontuou Luciana, incentivando os jovens a darem continuidade aos estudos.
O desafio de inovar na inclusão
O pioneirismo do projeto trouxe aprendizados profundos para as instituições envolvidas. Célio Henrique, diretor administrativo do CENAP, relembrou o impacto social da iniciativa ao optar por um edital voltado especificamente para o público trans. "Foi um projeto muito difícil de executar porque a gente mais aprendeu do que ensinou. Quando descobri que 90% da população transexual de Minas Gerais estava na prostituição, isso me assustou. Projetos como este são para tentar garantir que essa população tenha outra opção de trabalho. Terminamos com a sensação de dever cumprido", afirmou.
Representando a Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), que acolheu parte dos estudantes na fase prática, a chefe do departamento de fundamentos, Catarina Dallapicula, elogiou a postura ativa dos alunos. "Parabéns pela coragem de tentar fazer algo novo e muito obrigada por todas as críticas que fizeram no processo, por dizerem o que estava funcionando e o que não estava. Com isso, nós também aprendemos a fazer melhor", ressaltou. A diretora da UEMG, Fernanda Paula Diniz, completou reforçando o papel inspirador dos formandos: "Vocês são precursores de algo muito importante e farão com que várias outras pessoas também tenham a coragem de trilhar os mesmos caminhos".
Identidade e mercado de trabalho
Em sua fala, a instrutora de aprendizagem do CENAP, Maiza Silva, discursou em nome dos educadores e deixou um conselho sobre autenticidade no ambiente profissional. "O mercado de trabalho vai exigir responsabilidade e preparo, mas nunca deixem que ninguém faça vocês acreditarem que precisam deixar de ser quem vocês são para serem aceitos. O que abre portas é o conhecimento, a postura e o caráter. O começo pode até ser difícil, mas nunca define onde alguém é capaz de chegar", destacou.
Fechando as reflexões sobre o impacto real da aprendizagem, a presidente do Fórum de Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente (FECTIPA), Elvira Cosendey, ilustrou o sucesso do programa contando a história de um dos participantes. "A aprendizagem abre caminhos. O Josh fez a sua prática conosco no Ministério do Trabalho, quebrou paradigmas e foi superelogiado. Pouco depois de sair, ele me mandou uma mensagem dizendo: 'Elvira, eu adorei trabalhar aqui. Vou estudar muito e vou fazer o concurso para o Ministério do Trabalho'. É esse o legado que fica", concluiu.
A voz de quem transformou a própria realidade
O ponto alto do evento foi o sentimento de gratidão e acolhimento compartilhado pelos próprios formandos. Para Castiel Santos, as lições do curso foram além do conteúdo técnico. "Agradeço aos meus instrutores pela dinâmica de ensino, que me trouxe ainda mais vontade de aprender. O apoio e as conversas com a psicologia também foram muito importantes. Mas, além de tudo, levarei para a vida as amizades que fiz aqui. Conheci experiências de outras pessoas que são, ao mesmo tempo, diferentes e muito parecidas com a minha", relatou.
A sensação de conquista e o desejo de que a iniciativa ganhe escala também foram destacados por Angel Silva. "Foi uma honra e uma oportunidade incrível participar desse projeto do MPT e do CENAP, que nos ajudou bastante. Amei fazer parte disso e desejo que outras pessoas se inspirem, conheçam e possam participar de mais projetos assim", finalizou a participante, celebrando o encerramento do ciclo.
O projeto, que faz parte de uma política afirmativa para promover a igualdade de oportunidades, é custeado com recursos de destinação social revertidos pelo MPT-MG.
Comitê Regional de Equidade e Diversidade da PRT 3
O evento foi promovido pelo Comitê Regional de Equidade e Diversidade da Procuradoria Regional do Trabalho de Minas Gerais (PRT 3), o qual é presidido pela procuradora-regional do Trabalho Lutiana Nacur Lorentz, e composto pela procuradora-regional do Trabalho Luciana Marques Coutinho, pelo procurador do Trabalho Hermano Martins Domingues, bem como pelas servidoras Aline Ruas Rabelo, Pedro Henrique Duarte Timponi, Érica das Neves França e Julia Gomes da Silveira.

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