Força-tarefa resgata trabalhadores africanos em condições análogas às de escravo no Triângulo Mineiro
Grupo de 44 trabalhadores, entre brasileiros e africanos, laborava na colheita de batata; verbas rescisórias e indenizações individuais e coletivas somam R$ 888 mil
Uberlândia (MG) – Uma operação integrada por integrantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Auditoria-Fiscal do Trabalho e da Polícia Federal resgatou 44 trabalhadores submetidos a trabalho análogo ao de escravo em uma fazenda localizada na zona rural de Estrela do Sul, no Triângulo Mineiro. A maioria dos resgatados era formada por migrantes oriundos de Senegal e de Burkina Faso, além de trabalhadores brasileiros recrutados para a mesma atividade.

Segundo relatado pela equipe de fiscalização, os trabalhadores eram remunerados exclusivamente por produção. Muitos deixavam de realizar pausas adequadas para descanso e alimentação na tentativa de aumentar seus rendimentos. As refeições eram feitas diretamente no solo, nas frentes de trabalho, sem qualquer estrutura de apoio.
De acordo com o procurador do Trabalho Fabricio Borela Pena, que participou da fiscalização: "os trabalhadores faziam suas necessidades fisiológicas nas próprias áreas de cultivo, incluindo mulheres, em situação de completo aviltamento à dignidade humana."

Durante as tratativas conduzidas pelo MPT, o empregador firmou Termo de Ajuste de Conduta (TAC), comprometendo-se a cumprir obrigações destinadas a impedir a reincidência das irregularidades constatadas. O acordo prevê ainda o pagamento de indenizações por danos morais individuais aos trabalhadores e indenização por dano moral coletivo.
Ao todo, foram pagos R$ 474.165,57 em verbas trabalhistas e rescisórias, R$ 325 mil a título de indenizações por danos morais individuais e R$ 80 mil por dano moral coletivo. O valor total decorrente da atuação dos órgãos de fiscalização alcança R$ 879.165,57, não computados os autos de infração a serem oportunamente lavrados pelo Ministério do Trabalho.
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