Quase 3 milhões! Esse é o número de vidas perdidas por acidentes e doenças do trabalho, anualmente

A OIT estima ainda 395 milhões de lesões de trabalho não fatais

Belo Horizonte (MG) – Isso mesmo, você não leu errado! Quase três milhões de trabalhadores e trabalhadoras morrem a cada ano devido a acidentes e doenças relacionados com o trabalho, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Essa triste realidade foi apontada no relatório "A call for safer and healthier working enviroments", que revela outros importantes indicadores.

As doenças ocupacionais são responsáveis por quase 90% (2,6 milhões) das mortes. Dentre elas, as circulatórias, as respiratórias e as neoplasias malignas (câncer) são as principais causas, respondendo por mais de 75% da mortalidade. Já os acidentes de trabalho são responsáveis por 330 mil vítimas fatais.

Além disso, a OIT estima que 395 milhões de trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo sofreram lesões de trabalho não fatais.

Apesar de toda a evolução, ao longo dos últimos anos, em segurança e saúde no trabalho (SST), milhões de trabalhadores continuam sendo vítimas de lesões e doenças relacionadas ao trabalho, muitas vezes de forma fatal. Isso ocorre em razão da exposição a diversos tipos de riscos, tais como os biológicos, químicos, físicos, ergonômicos e psicossociais. As mortes relacionadas ao trabalho representaram 6,71% de todas as mortes em todo o mundo.

Em 2022, a OIT reforçou o compromisso com o aumento do nível de proteção em segurança e saúde no trabalho. Ela incluiu "um ambiente de trabalho seguro e saudável" no quadro de princípios e direitos fundamentais no trabalho.

 

Indicadores nacionais – SmartLab

Um trabalhador morre a cada quatro horas, aproximadamente

De acordo com o Observatório de Saúde e Segurança no Brasil (SmartLab), um trabalhador com carteira assinada morre a cada 3 horas e 47 minutos, desde 2012, no Brasil. Além disso, mais de 8 milhões de acidentes com trabalhadores foram notificados, o que equivale a um a cada 51 segundos.

Atividades de atendimento hospitalar lideram as notificações de acidente de trabalho por setor econômico, assim como os técnicos de enfermagem lideram a lista por ocupação.

 

A realidade regional e local – MG só fica abaixo de SP em acidentes de trabalho

De 2012 a 2022, com mais de 650 mil notificações, Minas Gerais só ficou abaixo do Estado de São Paulo, em acidentes de trabalho.

No mesmo período, com mais de 120 mil notificações, Belo Horizonte/MG só ficou abaixo das cidades de São Paulo/SP e Rio de Janeiro/RJ, em acidentes de trabalho.

 

O alerta sobre as subnotificações de doenças do trabalho

No ano passado, o MPT abordou esse tema em audiência pública, na Câmara dos Deputados. De acordo com a coordenadora nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho e da Defesa da Saúde e Segurança do Trabalho (Codemat), Cirlene Zimmermann, as empresas deixam de registrar a notificação para não reconhecer que a doença ocorreu em razão das condições de trabalho inadequadas. Entre as principais causas dos acidentes de trabalho, ela destacou a ausência de medidas de prevenção contra agentes biológicos e químicos nas empresas e a presença de fatores de riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

O procurador do Trabalho Eliaquim Queiroz também ressaltou que "o índice de subnotificação de doenças e acidentes de trabalho é alto no Brasil. Ele complementou que o MPT tem atuado para "orientar, informar e sensibilizar empregadores sobre a importância e obrigatoriedade da informação, bem como penalidades para empresas e profissionais da saúde pública que negligenciam nessa obrigação".

 

Indicadores mundiais – OIT

Vítimas por gênero

Em relação ao gênero, os homens morrem mais que as mulheres, na proporção de 51 a 17, respectivamente, por cada 100 mil adultos em idade ativa.

 

O desafio dos jovens o mercado de trabalho

O relatório aponta também que os jovens enfrentam grandes desafios na busca por um trabalho decente. A eles estão relacionadas taxas mais altas de acidentes de trabalho quando comparadas com os trabalhadores mais velhos.

 

Os efeitos cumulativos das exposições ocupacionais

Em razão dos efeitos cumulativos das exposições ocupacionais, cerca de 43% das doenças ocupacionais fatais afetam os trabalhadores com 70 anos ou mais. Há que se considerar também o declínio das funções biológicas.

 

Setores mais perigosos

Já no que toca aos setores com maiores índices de lesões fatais, a agricultura, a construção, a mineração, a silvicultura e pesca, além da manufatura, são os mais perigosos, com 200 mil ocorrências anuais, ou seja mais de 60% do total. Os trabalhadores agrícolas respondem por um terço dos acidentes fatais.

 

Fatores de risco e a alta letalidade das longas jornadas de trabalho

Sob outra perspectiva, dentre os fatores de risco ocupacionais considerados, a exposição a longas jornadas de trabalho (≥ 55 horas semanais) foi atribuída a quase 745 mil mortes em 2016. A exposição a material particulado, gases e fumaça ocupacionais veio na sequência, com mais de 450 mil óbitos associados.

 

Exemplos de fatores de riscos profissionais e o impacto na vida dos trabalhadores

De acordo com a OIT:

  • Dobrou a taxa de câncer de traqueia, brônquio e pulmão, atribuível à exposição ao cromo, entre 2000 e 2016;
  • Aumentou mais de 37% a taxa de câncer de pele não melanoma, entre 2000 e 2020;
  • Aumentou 40% a mesotelioma, um raro tipo de câncer associado à exposição ao asbesto (amianto);
  • Mais de 13 milhões de pessoas no mundo vivem com deficiência visual ligada ao trabalho, que representa o terceiro maior fator de risco para a deficiência visual.

 

Leia também!

Aconteceu na PRT de Belo Horizonte...

Município do Campo das Vertentes se compromete a aumentar nível de proteção dos empregados

Mineradora assina TAC que prevê o aumento do nível de saúde e segurança para centenas de empregados

 

--

Esta matéria tem cunho informativo. Permitida a reprodução mediante citação da fonte.

Assessoria de Comunicação Social
Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais
Tel. (31) 3279-3000
prt03.ascom@mpt.mp.br
Siga-nos no Instagram e no YouTube e saiba mais sobre a atuação do MPT.

Imprimir